60 ANOS DO MTG - DOS GALPÕES À SOCIEDADE

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Registrar seis décadas de caminhada do Movimento Tradicionalista Gaúcho é mais do que contar a história de uma entidade: é preservar a memória de milhares de pessoas, voluntárias ou profissionais, que dedicaram tempo, trabalho e paixão à construção de uma das maiores expressões culturais do Rio Grande do Sul. O ano de 2026 marca uma trajetória de 60 anos da entidade federativa do tradicionalismo gaúcho organizado, encontros, debates, congressos e, principalmente, de compromisso com a valorização da cultura gaúcha.

Desde sua consolidação, o tradicionalismo organizado assumiu a missão de cultivar valores, costumes, história e identidade, mantendo viva a ligação entre as gerações. Os Centros de Tradições Gaúchas os nossos CTGS tornaram-se espaços onde a dança, a música, a poesia, a gastronomia, a história e os modos de vida do povo gaúcho encontraram um lugar, tanto de preservação quanto de renovação.

Ao longo dos anos, porém, a sociedade mudou. O Rio Grande do Sul mudou. E o tradicionalismo também precisou acompanhar esse movimento, mas com o cuidado de não perder a essência. As últimas décadas trouxeram novos desafios: transformações sociais, culturais, novas tecnologias, mudanças nos hábitos familiares, a necessidade de dialogar com a juventude e buscar permanentemente por aproximar tradição e contemporaneidade.

Entre o livro dos 50 anos e este, essa evolução ganhou capítulos marcantes. O tradicionalismo passou a ampliar ainda mais seu olhar para além dos palcos, dos bailes e dos rodeios, reafirmando o papel social das entidades. Os CTGs passaram a ser reconhecidos como verdadeiros centros comunitários, locais de acolhimento, solidariedade, educação cultural e integração social. A Carta de Princípios sendo reconhecida. Como Barbosa Lessa afirmou em sua tese "O sentido e o valor do tradicionalismo" - O tradicionalismo está ai para auxiliar o estado na solução de seus problemas fundamentais e na busca do bem coletivo.

A pandemia de COVID-19 foi um dos maiores desafios enfrentados pela sociedade contemporânea. Também atingiu profundamente as entidades tradicionalistas, que precisaram suspender encontros, atividades artísticas, culturais e eventos presenciais. Mas esse período revelou uma força importante: a capacidade de adaptação.

A tradição encontrou novos caminhos, utilizando ferramentas digitais, fortalecendo vinculos e mostrando que cultura também se mantém viva mesmo diante das maiores dificuldades.

Pouco tempo depois, o Rio Grande do Sul enfrentou outro momento de grande impacto: as enchentes que atingiram Porto Alegre e diversas regiões do Estado. Mais uma vez, os galpões dos CTGs demonstraram sua importância prática para a comunidade.  Muitos se transformaram em pontos de arrecadação, acolhimento, distribuição de donativos, alimentos e apoio às famílias atingidas, reafirmando que tradição não é apenas lembrança do passado - é presença, cuidado e ação no presente.

Essa redescoberta das funções dos CTGs fortaleceu uma visão ainda mais ampla do movimento: a de que preservar a cultura gaúcha também significa servir à sociedade. O tradicionalismo passou a evidenciar sua capacidade de mobilização, voluntariado e contribuição para o bem coletivo - Carta de Princípios pura.

Nos últimos anos, também houve uma aproximação maior entre o tradicionalismo e políticas públicas voltadas à cultura, educação e valorização da identidade regional. Projetos de incentivo, ações culturais e programas de aproximação com escolas e turismo ajudaram a fortalecer o diálogo entre o movimento e as novas gerações.

A década de 2016 a 2026 representa, portanto, um período de renovação. Um tempo em que o tradicionalismo reafirmou suas raízes sem deixar de olhar para frente. A preservação da pilcha, da música, da dança e dos costumes caminhou lado a lado com novas formas de comunicação, inclusão, participação comunitária e responsabilidade social.

Este livro dos 60 anos é uma homenagem a todos que construíram essa história: fundadores, dirigentes, prendas, peões, artistas, campeiros, músicos, instrutores, famílias e voluntários. Cada página representa um pedaço dessa grande construção coletiva.

Celebrar 60 anos do Movimento Tradicionalista Gaúcho é reconhecer o passado, compreender o presente e preparar o futuro. Porque tradição não é ficar parado no tempo; tradição é aquilo que recebe novas mãos, novas vozes e novas gerações para continuar viva.

Que venham os próximos capítulos desta história.